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Uma investigação em 3 minutos

Participei no último dia 5 de março na Final da competição “UC 3 Minute-Thesis (3MT)”. Trata-se de uma competição académica que desafia os estudantes de doutoramento a comunicar a sua tese em apenas 3 min.

A par de muitas investigações relevantes, do direito à psicologia, da antropologia à engenharia, faço a minha apresentação aos 1h02m08s.

Mais informação aqui: https://www.uc.pt/3mt

Moralidade

Diz-nos José Augusto Cardoso Bernardes que Moralidade é

Género marcante do teatro medieval francês, caraterizado pela intenção didática, pela destrinça rigorosa entre o Bem e o Mal e pela representação alegórica. Mas longas que as farsas e gozando de menor favor do público, as moralidades constituíam, na Europa de Quinhentos (assinalada por grandes querelas teológicas) uma via privilegiada de catequese. Existem pelo menos dois tipos de m.: a m. Alegórica e doutrinal, que se define pela densidade da mensagem e pela exclusividade da alegoria e a m. Políticosocial, que envolve personagens verosímeis, subordinadas, por vezes, a uma disposição narrativa. Gil Vicente cultivou essencialmente o segundo tipo (Feira, Barcas, Sibila Cassandra, etc), sendo Alma o único exemplo da moralidade doutrinal. Na sua globalidade, o teatro vicentino pode ser identificado com uma espécie de moralidade transversal, na medida em que nele se observa uma evidente intenção doutrinal e didática e uma delimitação entre o que deve ser louvado e o que deve ser repreendido.

“Abecedário” in Gil Vicente, pp.218-219 (Edições 70, 2008)

Comédia

Diz-nos José Augusto Cardoso Bernardes que Comédia é

Género de ascendência greco-latina, reabilitada pelo Renascimento italiano. Carateriza-se pela presença de uma intriga complexa, envolvendo situações e personagens cómicas e, ainda pela incorporação de referências sociohistóricas. Em Portugal e em vernáculo, a C.[omédia] é principalmente cultivada por Sá de Miranda (Estrangeiros e Vilhapandos) logo seguido por António Ferreira (Bristo e Cioso).

Em Gil Vicente, que se situa à margem desta matriz, encontramos a conceção medieval do género. Menos codificada e menos objeto dos tratadistas, a C. Pressupõe uma fábula fantasiada e de desfecho positivo, onde intervêm quase sempre cavaleiros e personagens mitológicos (Divisa da Cidade de Coimbra, Viúvo e Rubena).

“Abecedário” in Gil Vicente, p. 210 (Edições 70, 2008)